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Construir audiĂȘncia batendo nos outros pode atĂ© funcionar, mas saiba que tem prazo de validade.

Existe algo sedutor em apontar o dedo
 Principalmente quando vocĂȘ estĂĄ começando, ainda fora do radar, com poucos seguidores e sem muito a perder.

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A lĂłgica Ă© simples: se o pĂșblico estĂĄ frustrado, atacar quem jĂĄ estĂĄ no topo Ă© uma forma rĂĄpida de ganhar aplausos.

É o bom e velho “nós contra eles”.

Só que esse discurso tem um problema: pode cobrar um preço bem alto no futuro.

Um dos gatilhos mais poderosos no marketing Ă© definir um culpado claro.

O livro A Carta de Vendas de 16 Palavras do Evaldo Albuquerque mostra isso de forma cirĂșrgica:

  • Depois que o leitor descobre os motivos que o fizeram fracassar em conquistar seu objetivo (ganhar dinheiro, perder peso, ser mais espiritualizado, etc) (Pergunta 4);

  • O prĂłximo passo Ă© apontar QUEM ou o QUE o IMPEDIU de vencer (Pergunta 5).

Veja só, isso não é só técnica de copywriting


Estudos cientĂ­ficos mostram que quando encontramos um inimigo comum, o cĂ©rebro libera ocitocina — o “hormĂŽnio do vĂ­nculo” — e nos sentimos parte de um grupo, de uma tribo.

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Na prĂĄtica, isso une o pĂșblico contra algo ou alguĂ©m: a indĂșstria, o sistema, a elite, o guru. E, quando bem usado, esse gatilho move multidĂ”es.

Grandes campanhas exploraram isso com maestria


A Apple, por exemplo, posicionou o PC como o robĂŽ cinza e opressor da mente criativa — e fez com que milhĂ”es se sentissem parte da “rebeliĂŁo criativa” ao comprar um Mac.

Agora, corte para o marketing digital brasileiro de hoje
 O movimento antiguru Ă© a “nova rebeliĂŁo”.

Pequenos players, recĂ©m-chegados, muitas vezes frustrados com fĂłrmulas prontas e promessas furadas, encontram na crĂ­tica ao “guru” uma bandeira fĂĄcil de levantar


E faz total sentido para quem estå começando, pois ele não tem reputação a zelar nem amigos influentes no mercado.

É como o movimento punk nos anos 80: contra o sistema, contra a ordem, contra a estĂ©tica. No underground, cotovelada Ă© argumento. A rebeliĂŁo Ă© cativante, mas nem sempre inteligente.

A inocĂȘncia e a burrice estĂŁo lado a lado


É uma linha tĂȘnue entre ser ingĂȘnuo, seguir seus instintos e ser burro. Principalmente, quando vocĂȘ Ă© jovem e acredita ter as respostas para todas as dores do mundo.

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“Quando vocĂȘ Ă© jovem tudo faz sentido
porque vocĂȘ Ă© burro”.

Belas palavras de “Renanzinho” - Choque de Cultura

Quando vocĂȘ cresce, o discurso encolhe

O problema de usar o inimigo comum como combustĂ­vel Ă© que isso vicia.

No começo, funciona. VocĂȘ se posiciona contra o “sistema”, atrai atenção, viraliza. Ganha curtidas, comentĂĄrios, aplausos.

Mas Ă  medida que vocĂȘ cresce, o jogo muda. A audiĂȘncia passa a esperar que vocĂȘ entregue mais do que revolta: espera por soluçÔes, ideias e profundidade.

E aĂ­, o personagem que vocĂȘ criou para desafiar os gurus vira uma prisĂŁo.

Porque se vocĂȘ parar de criticar, perde o engajamento. Mas se continuar criticando, começa a soar repetitivo, vazio e ressentido.

Quando a sua voz depende de um “vilĂŁo”, vocĂȘ nunca serĂĄ protagonista da prĂłpria histĂłria.

E sabe o que Ă© o pior?

Quanto mais vocĂȘ cresce, mais parecido com o “inimigo” vocĂȘ começa a parecer aos olhos da audiĂȘncia
 SĂł pelo fato de vocĂȘ estar se tornando relevante.

A plateia pode atĂ© aplaudir sua coragem no inĂ­cio
 Mas com o tempo, ela começa a cobrar coerĂȘncia.

Quando o ciclo do Ăłdio se volta contra vocĂȘ

A maior ironia do movimento antiguru Ă© que, quando dĂĄ certo, dĂĄ errado.

O discurso de revolta atrai, mas principalmente gente frustrada.

Pessoas que não querem só aprender
 Querem um culpado
 Um vilão.

E quando vocĂȘ, que era o rebelde, começa a crescer, a vender, a aparecer
 vocĂȘ vira o novo alvo.

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“Traiu o movimento.”
“Se vendeu.”
“Virou guru.”

JĂĄ escrevi sobre isso na newsletter "Você traiu o movimento".

Aos olhos de uma parte da audiĂȘncia, pouco importa se o seu trabalho Ă© bom, se o conteĂșdo Ă© legĂ­timo ou se vocĂȘ entrega mais valor do que os nomes que antes criticava


O pĂșblico que vocĂȘ formou nĂŁo quer nuance
 Ele quer trincheira, pancadaria, dedo no c# e gritaria!

E o pior
 VocĂȘ começa a perceber que precisa manter o personagem raivoso pra continuar sendo “relevante”.

SĂł que isso cansa, suga sua energia e te limita criativamente.

Porque enquanto vocĂȘ estĂĄ ocupado atacando
 Outros estĂŁo construindo.

Veja bem, não estou aqui para ser o advogado do diabo ou defender algum guru


Pois, apontar o dedo pode ser legítimo. É necessário expor o que está errado.

Mas quando TODA a sua narrativa gira em torno disso, vocĂȘ deixa de ser autor e vira comentarista.

É o LĂ©o Dias do marketing digital: vive de polĂȘmica, caça clique, ganha visibilidade
 mas constrĂłi o quĂȘ?

No fim das contas, a pergunta que vale mesmo Ă©:

VocĂȘ quer ser lembrado pelo que criticou OU pelo que construiu?

Ideias > Pessoas

Não escrevo tudo isso pra te frear


Escrevo esta newsletter para te lembrar que o jogo Ă© mais complexo do que parece.

Para te lembrar: o crescimento real começa quando vocĂȘ parar de brigar contra pessoas
 e começar a defender ideias.

❝

“Great minds discuss ideas; average minds discuss events; small minds discuss people.”

"Mentes medĂ­ocres discutem pessoas. Mentes comuns discutem eventos. Mentes extraordinĂĄrias discutem ideias."

Eu sei, eu sei
 Frase clichĂȘ!

BĂŁo, as frases clichĂȘs sĂŁo clichĂȘs por um motivo: funcionam ao longo do tempo, pois tĂȘm fundamentos.

Se vocĂȘ quer se aprofundar um pouco mais sobre o que eu trouxe aqui nesta newsletter, deixo abaixo algumas sugestĂ”es de leituras para vocĂȘ:

No mais, desejo que vocĂȘ construa algo que valha ser lembrado.

Com ideias, com profundidade
 E, sobretudo, com clareza de quem vocĂȘ quer ser quando chegar lĂĄ

Até a próxima edição, my friend.

Peace ✌

LucĂŁo.

💡Por dentro da Caverna

📖 O que estou lendo: Iludidos pelo acaso - Nassim Nicholas Taleb

đŸ“ș O que estou assistindo: Gary Halbert - Direct Marketing Secrets Seminar

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✍ Escrita por mim, LucĂŁo
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