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Leia a CopyLetter #119 ouvindo:
Temple of the Dog â "Hunger Strike"
Semana passada, eu me deparei com um post excelente do Cain Smith⊠e desde entĂŁo jĂĄ o li umas trĂȘs vezes.
Ele propĂŽs um jogo simples: qual seria o mercado PERFEITO pra vender?
A pergunta Ă© velha, aliĂĄs.
O Gary Halbert jĂĄ fazia ela hĂĄ 40 anos, do jeito dele (jĂĄ te conto). Mas a resposta do Cain transforma ela numa coisa que dĂĄ pra medir.
Mas primeiro, vamos Ă tese do Halbert, depois, Ă do Cain.
A Ășnica vantagem que o Gary Halbert queria
O Gary Halbert abria os seminĂĄrios dele com uma pergunta pra plateia:
"Se vocĂȘ e eu tivĂ©ssemos uma barraca de hambĂșrguer cada um, disputando quem vende mais⊠que vantagem vocĂȘ escolheria ter?"
E a plateia respondia o de sempre: a melhor carne, o menor preço, o molho secreto, o melhor ponto da cidadeâŠ
AĂ ele soltava:
â A Ășnica vantagem que eu quero Ă© uma multidĂŁo faminta.
Um hambĂșrguer mediano, vendido pra quem estĂĄ morrendo de fome, vende mais do que o melhor hambĂșrguer do mundo, vendido pra quem acabou de almoçar.
Mercado antes da oferta. Oferta antes da copy.
Nessa ordem, sempre.
O lendĂĄrio Brian Kurtz, que passou 34 anos na Boardroom trabalhando lado a lado com Gene Schwartz e Gary Bencivenga, pegou a velha regra 40/40/20 do Ed Mayer e mexeu em um ponto sĂł, de propĂłsito:
41% do resultado de uma campanha vem da lista
39% da oferta
20% da copy
O raciocĂnio dele Ă© simples:
Coloca a melhor oferta e a melhor copy na frente da audiĂȘncia errada, vocĂȘ vai vender zero.
Mas colocar uma oferta mediana na frente da audiĂȘncia certa, pode te dar muito dinheiro.
E repara quem fica com a menor fatia (20%): justamente a parte que a gente, copywriter, mais fica lapidando.
O jogo do Cain Smith que citei no inĂcio da news, Ă© sĂł uma pergunta a mais em cima do Halbert:
Beleza, mas o que Ă, na prĂĄtica, uma multidĂŁo faminta?
As 4 regras do mercado perfeito
Segundo ele (e eu assino embaixo), um mercado só vale o seu esforço quando fecha quatro eixos AO MESMO TEMPO:
1 - Tamanho. Quantas pessoas existem pra vocĂȘ vender. Se sĂŁo 300 no mundo inteiro, vocĂȘ bate no teto rapidamente e o mercado acaba.
2 - Bolso. Elas conseguem pagar caro? Vontade de pagar todo mundo tem⊠a pergunta é se o dinheiro EXISTE.
3 - UrgĂȘncia. Elas querem pagar AGORA, porque a dor nĂŁo espera atĂ© o mĂȘs que vem.
4 - Resposta. Elas compram por oferta direta (e-mail, anĂșncio, carta, VSL)⊠ou vocĂȘ precisa de 14 reuniĂ”es e um almoço pra fechar?

Parece fĂĄcil. O problema Ă© que os quatro brigam entre si.
1 - Mercado grande costuma vir com bolso curto⊠(e aĂ vocĂȘ vende barato, em volume, correndo atrĂĄs do prĂłximo cliente todo santo dia)
2 - Mercado rico costuma ser pequeno⊠(e aĂ vocĂȘ esgota o nicho em 18 meses e sai procurando outro)
3- Dor que não é urgente vira "vou pensar"⊠(e "vou pensar" é o jeito educado de dizer não)
4 - Quem paga mais caro geralmente quer ter reuniÔes e um contato mais próximo, em vez de comprar diretamente por meio de uma VSL, por exemplo.
Fechar os quatro é exceção.
Empresas que lucram com esses 4 fatores
O Cain cita dois exemplos, e eles nĂŁo poderiam ser mais diferentes.
A Eli Lilly, com o Mounjaro e o Zepbound (a famĂlia dos GLP-1, a mesma do Ozempic):
Dezenas de milhĂ”es de pessoas, dor urgente, consumo recorrente todo mĂȘs⊠e gente ganhando salĂĄrio mĂnimo pagando centenas de dĂłlares mensais pelo remĂ©dio.
Fechou os quatro tão bem que virou a anomalia do século: o remédio mais vendido do mundo.
A Agora FInancial, nos Estados Unidos: produtos de back-end de US$1.500 a US$2.000 vendidos pra uma multidĂŁo de investidores de meia-idade com uma dor que nunca passa:
âProteger e crescer o patrimĂŽnio antes de parar de trabalhar.â
Aqui tem um pĂșblico grande, rico, com dor urgente⊠e comprador que consome uma carta de vendas de 40 pĂĄginas.
Dois negĂłcios completamente diferentes, mas com o mesmo padrĂŁo: multidĂŁo grande, bolso fundo, dor que nĂŁo espera e gente que compra direto de oferta.
E repara no que ficou de fora dessa listaâŠ
Ninguém falou da copy.
Obviamente, ela tem que ser boa, claro⊠mas copy boa no mercado errado Ă© gol de placa em um estĂĄdio vazio (ou numa goleada de 7Ă1, tipo aquele gol inĂștil do Oscar)
UrgĂȘncia se encontra, nĂŁo se fabrica
Dos quatro eixos, tem um que decide o jogo⊠e Ă© o Ășnico que a copy nĂŁo cria.
Tamanho e bolso vocĂȘ descobre numa tarde de pesquisa. E resposta vocĂȘ testa com um anĂșncio de R$50âŠ
UrgĂȘncia, ou o mercado jĂĄ tem⊠ou vocĂȘ vai ter que FABRICAR.
E fabricar urgĂȘncia, a gente sabe, nĂ©?!
Lançamento, escassez, carrinho aberto por 5 dias, bĂŽnus que some Ă meia-noiteâŠ
Funciona.
Mas custa caro, cansa a audiĂȘncia e precisa ser refeito TODO ciclo. Fecha o carrinho e a urgĂȘncia evapora junto.
Agora, quando a urgĂȘncia Ă© do mercado, ela nĂŁo evaporaâŠÂ ela acorda com o cliente todos os dias.
Um jeito simples de enxergar a diferença:
Produto que resolve a ambição disputa com o orçamento do mĂȘs. (o curso de inglĂȘs, o MBA, a viagem)
Produto que resolve um âvazamentoâ disputa com o prejuĂzo. (o dinheiro perdendo pra inflação, o dente doendo, o site fora do ar)
Ambição espera.
Este âvazamentoâ/dor latente, o consumidor deseja resolver rapidamente â e topa pagar caro por isso!
O filtro dos 14 pontos
Aqui estĂĄ a parte que eu quero que vocĂȘ aplique HOJE.
Pega o seu mercado (ou o do cliente que acabou de te chamar) e dĂĄ uma nota de 1 a 5 em cada eixo:
Tamanho: de 1 (cabe numa sala) a 5 (milhÔes)
Bolso: de 1 (conta as moedas) a 5 (paga caro sem piscar)
UrgĂȘncia: de 1 (um dia eu resolvo) a 5 (a dor nĂŁo deixa dormir)
Resposta: de 1 (sĂł fecha em reuniĂŁo) a 5 (compra pelo e-mail)
Soma tudoâŠ

Abaixo de 14, o trabalho de copy é o mesmo⊠e o resultado não aparece.
Esse Ă© o filtro que eu aplico antes de dizer sim pra qualquer projeto.
Se o mercado nĂŁo chega a 14 pontos, eu prefiro mostrar ao cliente qual eixo estĂĄ faltando do que escrever copy em cima dele.
EntĂŁo, antes de escrever uma linha, antes de montar o funil, antes de aceitar o freelaâŠ
âŠAplique esse framework.
VocĂȘ nĂŁo escolhe o resultado.
VocĂȘ escolhe o mercado⊠e o resultado vem junto.
Responda a este e-mail informando qual mercado vocĂȘ atende. E eu te digo qual dos quatro eixos estĂĄ travando no seu negĂłcio.
That's it.
Até a próxima edição.
Peace âïž
â LucĂŁo
P.S.: O David Ogilvy tinha uma frase sobre issoâŠ
A propaganda consegue vender um produto ruim⊠"uma vez".
Depois, o cliente percebe e nunca mais volta, ou seja, nem a melhor caneta do mundo salva um produto ruim.
Num mercado QUENTE, um produto mediano até vende, principalmente quando os concorrentes são fracos.
Mas se vocĂȘ quer vender de novo para o mesmo cliente, o produto tem que ser BOM.
O mercado te dĂĄ a primeira venda.
O produto bom te dĂĄ todas as outras vendas que vocĂȘ precisa.
đĄPor dentro da caverna
đ Lendo: Gary Halbert â The Boron Letters (grĂĄtis no site da famĂlia: thegaryhalbertletter.com)
đș Assistindo: Lucas Montano â "Todo mundo deveria ter uma assinatura de IA?"
đ§ Ouvindo: Sublime â "F.T.R"
đ© Sobre a CopyLetter
âïž Escrita por mim, LucĂŁo
đ€Ż Bastidores reais de um copywriter que escreveu campanhas que ultrapassaram a marca de R$ 200 milhĂ”es.
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