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Leia a CopyLetter #115 ouvindo:
The White Stripes — "Seven Nation Army"

Eu tenho uma teoria sobre porque a maioria dos negócios morre.

Não é falta de dinheiro, não é falta de ideia, não é concorrência… é excesso…

Excesso de produtos…

Excesso de público-alvo/Personas/ICPs…

Excesso de "e se a gente também fizesse isso?"

O instinto humano diante do crescimento é pensar em somar:

  • mais serviço

  • mais canal de distribuição e aquisição

  • mais features

  • mais pessoas

  • mais investimento em tráfego

Pois, parece lógico, né: se está funcionando agora, imagina com MAIS.

Só que NÃO funciona assim.

Em 2021, uma equipe da Universidade da Virgínia, nos EUA, publicou um estudo na “Nature” sobre um viés que chamaram de "addition bias" — viés de adição.

Quando a gente enfrenta um problema, nossa tendência natural é ADICIONAR coisas em vez de remover.

Num dos experimentos, pediram pra pessoas estabilizarem uma estrutura de Lego.

Quase ninguém pensou em tirar peças. Todo mundo adicionava… mesmo quando remover era mais simples, mais rápido e mais eficiente.

(O estudo mostrou que a gente nem CONSIDERA a opção de subtrair. E o motivo não é porque avaliamos e descartamos. Nada disso… É que essa de "remover" simplesmente não aparece em nossa mente.)

A gente faz a mesma coisa com negócio e carreira…

Por exemplo:

Um freelancer que começa com copy e, de repente, passa a oferecer:

"Copy, design, social media, branding, tráfego pago e consultoria estratégica" — essa pessoinha não aumentou suas chances de trabalho… Muito pelo contrário…

Depois de algum tempo, essa pessoa olha para o próprio portfólio e NÃO sabe explicar em uma frase o que ela FAZ.

Outro exemplo:

Uma newsletter que fala de "marketing, produtividade, IA, mindset, finanças e lifestyle" não é abrangente, é somente… Confusa.

O leitor não sabe porque precisa abrir aquele email em vez de qualquer outro.

O Seth Godin publicou um post essa semana chamado "Resources and Focus" e lembrou de um dado curioso:

O Yahoo, no auge, tinha quase 200 links na home page. O Google tinha dois. Adivinha quem sobreviveu? (Google)

E ele faz uma observação para os tempos de hoje:

A OpenAI (criadora do ChatGPT), com recursos praticamente ilimitados, resolveu lançar de tudo: gerador de imagens, gerador de vídeos (já cancelado), um robô que anda pela sua casa e mais uma dúzia de ferramentas que aparecem toda semana.

Do outro lado, a Anthropic seguiu um caminho mais lento, mais chato, mais focado no produto. (Mas isso já mudou também, Anthropic está mais barulhenta do que focada no produto… mas isso é papo para outra news)

O post do Seth Godin fechava com a frase:

"No is a complete sentence."

("Não" é uma frase completa.)

Mas o que eu quero te dizer vai um pouquinho além do Seth…

Foco não é uma estratégia de contenção…

Não é "fazer menos porque não dá pra fazer mais."

Foco é uma DECISÃO criativa e inteligente.

É entender que cada coisa que você adiciona ao seu negócio, ao seu produto, à sua oferta… vai roubar atenção de tudo o que já existia ali.

The White Stripes tinham guitarra e bateria. Só.

Sem baixista (um crime, mas okay), sem tecladista, sem backing vocal.

E o Jack White já disse que a limitação era PROPOSITAL, pois a limitação forçava a criatividade dele.

Pois, você não pode esconder uma ideia, uma música medíocre, por trás de camadas e mais camadas de produção quando só tem DOIS instrumentos.

Quando você corta o desnecessário, o que sobra precisa ser BOM de verdade.

E é aí que a maioria trava…

Porque cortar exige que você confie no que ficou.

Se você não consegue explicar o que faz em uma frase, fica difícil para qualquer outra pessoa entender o que você faz.

Se a sua oferta precisa de 14 bullets pra parecer completa, é porque não é completa — é uma oferta insegura, que está tentando vender pra todos os ICPs possíveis!

Se a sua newsletter precisa de 7 editorias diferentes pra "pegar todo mundo"… ela não pega ninguém.

Adicionar é fácil.

Remover exige coragem para dizer: "Isso aqui é bom, mas não é pra mim." (Ou não é para mim AGORA).

Na maioria das vezes, ser bom em algo é só ser resiliente e chato… executando e melhorando, a cada dia, o que você já faz.

That's it.

Até a próxima edição.

Peace ✌️

– Lucão

💡Por dentro da caverna

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