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Leia a CopyLetter #079 ouvindo:
The Doors - “Roadhouse Blues”

Semana passada eu te falei que a IA tava roubando a sua voz… e essa semana eu percebi que o problema é bem maior.

Ela não rouba só a sua voz, ela rouba a sua capacidade de pensar… e você vai entregar isso sorrindo, achando que tá ganhando tempo.

Caiu na minha mão um ensaio do Paul Graham, o cara que fundou a Y Combinator, chamado "Writes and Write-Nots".

A tese dele é que em duas décadas, quase ninguém vai saber escrever…

Não porque a humanidade ficou burra (aqui eu discordo)

… mas porque a IA tirou a única coisa que obrigava a gente a aprender: a necessidade.

O mundo, diz ele, vai rachar no meio:

  • de um lado os “writes”,

  • do outro os “write-nots”

E o escritor mediano, o "ok", aquele que se virava, simplesmente vai desaparecer.

Segue o raciocínio comigo…

Escrever sempre foi difícil pra caramba, porque escrever bem exige pensar com clareza…

E pensar com clareza, my friend, é uma das coisas mais difíceis que existem — talvez a mais difícil de todas.

Por séculos, quem tinha um trabalho minimamente relevante era obrigado a escrever.

E aprendia no soco, na marra, rasgando papel e sentindo aquele gosto amargo de tinta na garganta, simplesmente porque não havia escapatória.

Mas agora existe…

A IA escreve por você na escola, no trabalho, naquele e-mail chato que você ia mandar para o cliente difícil… E toda aquela pressão que te obrigava a aprender, a suar, a pensar… evaporou como fumaça.

"Se você pensa sem escrever, você só acha que está pensando."

Leslie Lamport

Escrever não é o resultado do pensamento.

Escrever é o pensamento acontecendo, ao vivo, na sua frente, em tempo real.

É no atrito de transformar aquela névoa cinzenta lá dentro da sua cabeça em algo real, tangível – e que muitas vezes era só um emaranhado de ideias soltas (bem idiotas).

Mas, ao escrever, ao colocar no papel…

Você chegou ao ponto de clareza necessário para enxergar isso.

E é por isso que o Graham crava o golpe final: um mundo dividido entre writes e write-nots vira, inevitavelmente, um mundo de thinks e think-nots.

O George Orwell já tinha farejado isso lá atrás, décadas antes do ChatGPT existir, quando escreveu que: 

"Se o pensamento corrompe a linguagem, a linguagem também pode corromper o pensamento"

A diferença é que agora a maioria das pessoas que nunca teve pensamento crítico começou a terceirizar toda a linguagem para um robô, então você já imagina o que vai sobrar do pensamento médio, né?!

A IA tornou a escrita gratuita > a escrita gratuita virou ruído…

E no meio de um oceano ensurdecedor de ruído

… A única coisa capaz de fazer alguém parar o dedo na tela e prestar atenção é uma voz que pensa de verdade, que tem cheiro, que tem DNA.

Ou seja, a IA não matou o copywriter!

Ela matou o copy preguiçoso, aquele que já era ruim mesmo antes dela chegar.

O que você precisa entender é que o SEU raciocínio, a SUA maneira torta, enviesada e única de enxergar as coisas, virou o seu moat

… Ou seja, a sua vantagem competitiva a longo prazo. Aquela habilidade que quase ninguém domina com um simples Ctrl+C.

A IA vai escrever por você, vai pensar por você, vai decidir por você… se, e somente se, você deixar.

O Paul Graham dividiu o mundo em dois — writes e write-nots.

E eu, humildemente, divido em outros dois:

  1. os que escolhem pensar

  2. E os que terceirizam a própria cabeça e nem percebem o aluguel absurdo que estão pagando por isso.

A boa notícia é que ainda é uma escolha, todo dia, em toda página em branco que te encara. A má notícia é que, a cada dia que passa, menos e menos gente escolhe.

Porque a inteligência, essa sim, ficou artificial mesmo, abundante…

Mas a burrice, my friend… essa segue 100% humana.

(E, pela primeira vez na história, completamente opcional.)

That's it.

Até amanhã.

Peace ✌️

– Lucão

P.S. — Na edição #078 eu te dei o COMO (o modo entrevista, a IA te perguntando em vez de responder por você). Hoje eu te dei o porquê. Junta os dois e você tem a única receita que eu conheço para usar IA no talo… sem deixar que ela te use de volta.

💡Por dentro da Caverna

📖 O que estou lendo: Obviously Awesome - April Dunford

🎧 O que estou ouvindo: Gnut - Nu poco e bene

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✍️ Escrita por mim, Lucão
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